Tendências e Perspectivas da Indústria Pós-Pandemia: Entrevista com Marcelo Rocha, Presidente da Knauf Isopor®

Tendências e Perspectivas da Indústria Pós-Pandemia: Entrevista com Marcelo Rocha, Presidente da Knauf Isopor®

O ano de 2020 foi um dos anos mais atípicos de nossas vidas e desencadeou em uma das maiores crises já vistas. A pandemia causada pelo novo Coronavírus trouxe inúmeras perdas e graves prejuízos na economia em todo o planeta.

O Brasil é um dos países mais afetados e muitas indústrias tiveram suas portas fechadas ou quase chegaram a esse ponto com a alta paralisação da economia. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mais de 70% das indústrias apresentaram um impacto geral negativo e 40% das empresas paralisadas por total na pandemia, tiveram que fechar suas portas.

Aos poucos, a economia vem sendo retomada, seguindo todos os protocolos de saúde recomendados pelo governo junto com os órgãos de saúde. Os primeiros resultados, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostraram sinais de recuperação. Os dados apontam para o crescimento de 7,4% no faturamento do setor entre junho e julho. Conforme pesquisa da CNI divulgada em outubro, o índice de evolução da produção atingiu 59,1 pontos, bem acima da linha divisória de 50 pontos, que indicam aumento da produção e do emprego.

Para este momento, entrevistamos o Presidente da Knauf Isopor, Marcelo Rocha para falar sobre as tendências e perspectivas da Indústria Pós-Pandemia, comentando um pouco sobre como a Knauf se comportou e tem reagido a isso. Confira:

Podemos dizer que o período entre março e meados de junho foi o mais complexo para as indústrias em geral?

Sem dúvida foi e ainda é, porque não passamos por um problema desta magnitude e que tenha atingido o mundo todo desde a segunda guerra mundial.

Como foi possível manter a estabilidade no início da pandemia e qual questão foi mais complexa nesse período?

Grande parte de nossos clientes não pararam, especialmente laboratórios que tiveram um aumento na demanda por vacinas nesse período, pois no início da pandemia, a procura pelo serviço de vacinação se intensificou, assim tivemos que manter toda a operação industrial ativa desde o primeiro dia da pandemia até hoje.

Nós consultamos especialistas na área de saúde e criamos um protocolo para dar segurança e tranquilidade ao nosso time e isso funcionou muito bem, não tivemos nenhuma paralização ou contaminação em massa em nossas plantas.

Conforme a comunidade científica foi aprendendo sobre esse vírus, nós fomos nos adaptando e atualizando nosso protocolo.

Como está sendo o retorno das atividades? Explique quais são foram as políticas apresentadas pela empresa, os desafios e como os funcionários estão se adaptando?

Como mencionei anteriormente nós nunca paramos, nossa atividade é essencial para a saúde pública, pois fornecemos caixas para transporte de medicamentos e vacinas.

Nosso protocolo inclui uso de máscara, distanciamento social, checagem de temperatura etc. Em caso de contaminação de um colaborador, nós testamos todos que tiveram contato para rapidamente evitar a transmissão em massa. A empresa possui contrato com laboratórios para obter resultados em 24 horas.

Em quanto tempo será possível voltar a ter resultados consistentes com as metas previstas? Existe alguma previsão para isso?

Nós já voltamos a atingir nossas metas mensais, e assim, mês a mês, estamos atingindo nossos objetivos. Porém, a meta anual foi comprometida por conta da nossa participação no mercado automotivo, que chegou a parar 100% e só agora vem retomando.

Marcelo Rocha, Presidente

Presidente | Knauf Isopor®

Marcelo Rocha

Para você, o que é a indústria pós-pandemia? Existe esse conceito de “novo normal”?

Penso que muitos conceitos vão continuar mesmo após a vacina. Nossas crianças vão estranhar em saber que pessoas entravam para trabalhar com febre e não usavam máscara quando gripados.

Quanto ao home office que está sendo muito utilizado nesse período, entendo que esse modelo é temporário. O dia a dia da indústria e seus processos acontecem no chão de fábrica e é lá que temos que estar presentes, trabalhado com todos os protocolos e ações preventivas, garantindo a segurança de todos os nossos colaboradores. Para outros segmentos, eu acredito que vai perdurar, porque muitos já utilizavam o home office antes da pandemia.

Como a Knauf tem se adaptado a esse “novo normal?

Temos como característica a resiliência e nosso time é fortemente engajado, assim as coisas se tornam mais fáceis. Atuamos em diversos segmentos de mercado e estamos acostumados a mudanças constantes.

Nós estaremos preparados para quaisquer que sejam os desafios desse novo normal. Tudo de bom que aprendemos com essa situação vai ser mantido e melhorado: nossos planos de contingência foram altamente testados e funcionaram; implantamos melhoria significativa em nosso sistema de comunicação e com isso nos tornamos mais ágeis.

Estamos prontos e passamos a certeza aos nossos clientes que sempre estaremos aqui para atendê-los não importa qual seja a situação.

Quais são as suas perspectivas para a indústria pós-pandemia?

No momento, temos uma clara retomada que, no Brasil, vai durar até dezembro de 2020. Já em 2021, existe uma grande incerteza devido ao fim do auxílio emergencial e escalada de preços. Por enquanto é desafiador confirmar um cenário preciso

Os impactos da pandemia na indústria brasileira são diferentes do que nas indústrias do exterior. Como funciona com as outras filiais/cenários da Knauf?

Como mencionei no início, a pandemia não poupou ninguém. Alguns países pareciam que iam passar ilesos, mas agora estão em plena pandemia, outros na segunda onda. Nós mantivemos contato o tempo todo para discutir boas práticas para implementar em todas as nossas unidades. Estamos 100% alinhados.

No caso de uma eventual “segunda onda de Covid-19”, como a Knauf está se preparando?

A segunda onda já é realidade na Europa e estamos preparados aqui também, apesar da torcida para que isso não aconteça. Nosso protocolo de saúde foi eficaz até o momento para evitar a contaminação em nossas fábricas e escritórios e estamos atentos as notícias da comunidade científica para novidades, seguindo todas as recomendações.

Considerações finais

Eu sou muito grato ao time KNAUF pela dedicação e garra no enfrentamento dessa situação ímpar. Nós tivemos todo o apoio desde a nossa matriz até o nosso time no Brasil e fomos capazes de atender todas as necessidades de nossos clientes nesse período.

Espero que a humanidade vença nos próximos meses esse vírus que causou tanto sofrimento e que sejamos capazes de retomar nossas vidas como antes. Cuidem-se!



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